A formação docente como fator-chave na adoção da inteligência artificial na educação básica
DOI:
https://doi.org/10.17398/1695-288X.25.2.247Palavras-chave:
inteligência artificial, educação básica, professores do ensino básico, tecnologia educacional, igualdade de oportunidades educacionais, desigualdade territorialResumo
Introdução/Objetivo: Este estudo analisa a relação entre a formação formal em inteligência artificial (IA) e a sua adoção pedagógica por docentes do ensino básico da Região de Maule, no Chile, um território marcado por desigualdades entre áreas urbanas e rurais. Método: Foi utilizado um desenho transversal, exploratório-descritivo, com grupos contrastantes, envolvendo 150 docentes (54% mulheres; 58,7% de áreas urbanas e 41,3% de áreas rurais), que responderam a um questionário validado de 34 itens, entre agosto e outubro de 2025. Foram aplicadas estatística descritiva, o teste do qui-quadrado e o V de Cramer. Resultados: Observou-se uma separação praticamente completa entre os grupos (χ² = 143,96, gl = 1, p < 0,001; V de Cramer = 0,980): 100% dos docentes com formação (n = 31) utilizam ativamente a IA, enquanto nenhum docente sem formação (n = 119) a integrou. Os docentes com formação apresentam uma elevada frequência de utilização (90,3%), um elevado nível de confiança (67,7%) e melhorias pedagógicas percecionadas (100%). Verifica-se uma desigualdade territorial descritiva no acesso à formação (urbano: 25,0% vs. rural: 14,5%; razão de taxas = 1,72). Discussão/Conclusões: Os resultados colocam em causa a narrativa da resistência docente, uma vez que apenas 10,1% dos docentes sem formação manifestam oposição, o que aponta para barreiras predominantemente estruturais. A formação formal surge como um fator diferenciador na adoção da IA, com implicações diretas para a conceção de políticas de equidade no acesso ao desenvolvimento profissional docente em contextos latino-americanos marcados pela desigualdade territorial.
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